sábado, 23 de janeiro de 2010

Todo Dia.

Por que nem todo dia é de festa, nem toda manhã é de sorrisos.

Nem todo sol é de praia e nem todo riso é verdade.

Nem toda calma é paz.

Nem todo drama é desnecessário.



Eu só queria você aqui, mas você nem vai ler isso pra saber.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Sabe quando uma pessoa que você não vê há anos, que nem era assim tão próxima de você, que foi embora da sua vida e que você não esperava nunca mais ver na vida, mas sempre teve um carinho por ela, sempre admirou aquela criatura, enfim, essa pessoa reaparece e muda sua vida? Pois é, eu disse: Muda Sua Vida.
Resolve aquela enooorme interrogação que você carregava pra cima e pra baixo.

Acabei de passar por isso.
Maravilhoso.



PS: Não falei com ela, só nos cruzamos (e sorrimos) num pub da vida. 40 reais pra ouvir funk tosco mais bem pagos da minha vida.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Porta-retratos.

Ela só queria saber no que ele pensou quando foi embora, quando mordeu o lábio, tomou ar e simplesmente sustou sua frase.

Sentada na cadeira, cotovelos apoiados na mesa e mãos segurando o queixo distraidamente. Levantou-se e se viu debruçada na janela olhando o vento varrer a rua. Franziu o cenho ao pensar na viagem, agora que ninguém podia vê-la talvez deixasse vazar alguma água salgada (ou seria doce?) dos olhos.

Vestiu o casaco sobre o vestido rodado de menina-moça e saiu para a rua.
O vento frio correndo por entre suas pernas lhe deu um ar de Marilyn, só que meio triste e de olhos injetados. Abraçou o próprio corpo e saiu andando em direção à casa daquele velho amigo, ainda moraria lá?

Sentou no meio-fio duas ruas antes do seu destino para que sua alma se aquietasse e pudesse respirar de modo ritmado novamente. Não poderia parar na porta dele e parecer frágil até ter capacidade de tocar a campainha, afinal, alguém poderia aparecer.
"isso... que acontece com a gente acontece sempre com qualquer casal. Isso... ataca de repente, não respeita cor, credo ou classe social..."
Parou o pensamento no meio, levantou bruscamente. Olhou para os lado e recomeçou a caminhada calculando as palavras que diria quando olhasse naqueles olhos calorosos. Com certeza ficaria feliz em vê-la, mas precisava ser cuidadosa, ele a conhecia bem e poderia ler qualquer sombra em sua expressão, não colocaria agora tudo a perder.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Porta-retratos.

Abriu a gaveta com toda calma, percorreu o seu conhecido conteúdo.
Incontáveis considerações de sua vida desfilavam em sua mente. Não, não fazia sentido algum apressar as coisas, aprendera que não importa o que aconteça, seu semblante deveria ser impassível e suas intenções um mistério.
Fechou a gaveta e olhou para frente, não para o rapaz sentado a sua frente, mas para o que seria dela em alguns dias quando descobrissem o que se passava.

-E então? O que tinha para me dizer?

Focou o rapaz novamente: realmente era belo. Nada demais, os traços de seu rosto simplesmente se ordenavam de modo agradável. Sua voz também ajudava, era grave e musical quando falava e seu sussurro era doce.

Ela olhou para a gaveta novamente, agora fechada, e esse movimento trouxe seus cabelos castanhos e pesados para frente do rosto de onde ela delicadamente o afastou prendendo-o atrás da orelha.
Apoiou-se na mesa e olhou nos olhos dele.
As palavras iam no meio da boca quando percebeu que não controlava bem a emoção e que se não se acalmasse a voz sairia embargada. E ela não poderia soar indecisa ou insatisfeita com a própria decisão. Sorriu de lado e perguntou se ele aceitaria um café.

Ele rejeitou o café e pediu que ela dissesse logo porque queria vê-lo.
Ele era impaciente, podia-se sentir o cheiro da curiosidade dele do corredor, ele era fácil de ser lido: simples e espontâneo, de uma sinceridade morna e confortável. Talvez fosse esse o seu encanto.

Ela sorriu de sua inquietação e sentou-se.
Olhou para a janela e disse: vou embora. Para Nova York.
Voltou-se para ele e prosseguiu: não queria que você soubesse por outra pessoa.
E esperou pacientemente que ele absorvesse a informação.

-Felipe, você não vai ficar chateado, vai?

Ele mordeu o lábio e se levantou em seguida.
-Patrícia, eu...
Abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas simplesmente sorriu e foi embora daquela sala gelada.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Pra ela.

Perfeita Simetria.

Toda vez que toca o telefone
Eu penso que é você
(Na verdade, não. Tua música não é a mesma das outras gentes)
Toda noite de insônia
Eu penso em te escrever
(Na verdade, não. Eu penso em te ligar)
Pra dizer
Que o teu silêncio me agride
(Não há muito silêncio. São frases sem o nosso "querer bem" de antes)
E não me agrada ser
Um calendário do ano passado
(Mês passado?)
Prá dizer que teu crime me cansa (Não há tipicidade, e se houvesse a antijuridicidade estaria extinta há muito)
E não compensa entrar na dança
Depois que a música parou
(Estou te chamando pra dançar de novo, apesar dos pisões nos pés)

Toda vez que toca o telefone
Eu penso que é você
Toda noite de insônia
Eu penso em te escrever
Escrever uma carta definitiva
Que não dê alternativa
Prá quem lê
Te chamar de carta fora do baralho
Descartar, embaralhar você
('Tá, em algum momento tive essa vontade)
E fazer você voltar
Ao tempo em que nada
Nos dividia
Havia motivo pra tudo
(pra nada também)
E tudo era motivo pra mais
Era perfeita simetria
Éramos duas metades iguais

O teu maior defeito
Talvez seja a perfeição
(Tem gente que não vai aceitar isso muito bem, se é que você me entende)
Tuas virtudes
Talvez não tenham solução
(Não, não têm... Os defeitos a gente vai levando, né?)
Então pegue o telefone
Ou um avião
Deixe de lado
Os compromissos marcados
Perdoa o que puder ser perdoado
(...)
Esquece o que não tiver perdão (Mesmo sabendo que eu pedi perdão pelo todo)
E vamos voltar aquele lugar (Aquela sorveteria, quem sabe?)
vamos voltar

Ao tempo em que nada

Nos dividia

Havia motivo pra tudo

E tudo era motivo pra mais

Era perfeita simetria

eramos duas metades iguais.



Incrível como a gente escuta nas músicas o que precisa ouvir. Apesar do tempo corrido, achei importante postar aqui.
Não é fácil esquecer, mas não dá pra tirar do baralho a minha rainha de copas.

Tanto faz, eu continuo te amando.

=*