terça-feira, 26 de maio de 2009

Do adeus.


O que foi feito, meu bem, dos nossos sonhos?


Esses aqui, rasgados pelo chão, assim, oferecidos pra eu enxugar as minhas lágrimas como tantas outras vezes?
Aqueles planos desenhados primeiro no guardanapo da cozinha, depois escritos na agenda e depois colocados em planilha do Excel e grudados na geladeira.
Agora você simplesmente faz de conta que eles eram devaneios, brincadeira de quem não tem mais o que fazer.

Como é que eu agüento levantar da cama, te olhar babando do meu lado, levantar, sair... resolver a minha vida com um café na mão, enquanto você dorme com sua pimenta de pelúcia.
Como é que eu agüento te ver do meu lado, sabendo de tudo, sabendo que você me ama “de um jeito diferente, de um jeito pra sempre, de um jeito único”, mas que vai me deixar com prazo fixo: 31 de dezembro.

Por outro lado é bom, vou te arrancando de mim aos pouquinhos, tendo chance de te abraçar quando achar que não vou conseguir. Tendo chance de juntar tudo que eu detesto em você numa caixinha e cair dentro dela com ódio e lágrimas no peito: no dia em que você for embora.

Eu sei bem o que vais dizer... que ela é perfeita pra ti, que ela é diferente das outras, que ela te completa! Ah, é claro, ela vai mudar tua vida! Colocar-te nos eixos, não é isso que aquela (vaca gorda!!!) mulher vai fazer?

A diferença é que dessa vez eu não me importo, dessa vez você pode ir sem que eu faça drama, que eu te esfregue na cara tudo que eu fiz por ti, sem que eu escandalize tua traição. Dessa vez, eu até preferia que ela te completasse de fato, que ela te fosse suficiente.
Porque agora eu cansei, eu sempre soube que cuidar de ti só me trazia cansaço e olheiras. Eu sempre soube o que ia acontecer, mas eu nunca deixei de te amar a ponto de abrir mão da minha santa paz.

Não abaixe a cabeça ao ler isso, ainda te amo. Só que estou saturada das tuas mesmas histórias, das tuas mesmas piadas, das tuas mesmas risadas.
Essas mesmas histórias que fazem rir quem ainda não te conhece a fundo, que faz meus amigos te convidarem a sentar em mesas de bar pra contar teus “causos” do passado que te condena.
Não agüento mais ouvi-las, essas histórias. Não sei mais sorrir das mesmas piadas, nem olhar carinhosamente as tuas risadas.
Não sei mais fazer vista grossa pras tuas falsidades, pra tua cara sonsa. Não vou mais querer acreditar nas tuas atitudes interesseiras. Não vou.

Então, vai. Vai dar dor de cabeça pra essa outra mulher. Vai e leva teus peixes, porque eu vou esquecer de alimentá-los.

Não queria mais sinal de vida teu por um bom tempo, quem sabe assim essa mágoa engasgada passe. Quem sabe assim eu te esqueça de vez.

Vai, mas saiba que a porta não vai estar aberta pra você voltar, no máximo um telefonema no teu aniversário, no natal e no ano novo. É só.

Vai e me faz um favor: não olha pra trás que é pra não dar esperança pra esse pobre coração (retardado, idiota...) boboca.





PS: Não, eu não escrevi isso pra o meu namorado.

2 comentários:

Yam disse...

"A gente se ilude dizendo já não há mais coração".
A porta tá fechada? Mas na janela tem um bilhete dizendo que a chave 'tá deibaixo do tapete.
Ela volta (ele(a)s sempre voltam). E a gente sempre recebe com um sorriso meia-boca de "eu sabia".

Amei do P.S. xD

=*

Vinícius disse...

desabafar
[De des- + abafar2.]
Verbo transitivo direto.
1.Desagasalhar, descobrir.
2.Tornar livre (a respiração); desafrontar.
3.Desimpedir, desembaraçar, descobrir:
Cortaram o mato para desabafar o caminho.
4.Dar livre curso a (sentimento); desafogar:
Desabafou as queixas longamente reprimidas.
Verbo transitivo direto e indireto.
5.Desabafar (3):
Desabafou a casa de móveis velhos.
6.Aliviar; livrar:
Desabafou-o de responsabilidades.
Verbo transitivo indireto.
7.Desafogar-se; expandir-se:
Após desabafar em lágrimas, sentiu-se aliviada.
Verbo intransitivo.
8.Desafogar-se, revelando o que sente ou pensa:
Sofrera calado, queria desabafar.
9.Respirar livremente.



Respirar livremente.
Respirar.
Livremente.

Agora já pode voltar.
E quem sabe, (re-)estender a mão, e quem sabe, um abraço.

Beijos.